uns dias perecebem-me outros percebo-me
Saturday, December 02, 2006
Wednesday, November 15, 2006
quando era jovem
quando era jovem, ontem, acreditei em muitas coisas. Mas desconfiava dos velhos.
Percebo hoje que estava totalmente enganado. Há sonhos que me acompanham por mais noites que amores. Que fazer...
Apagar não é digno nem possível. Afogar o passado com vida melhor. Ser o mártir contra a probabilidade. Ser o louco para não ser o céptico. Crer, fingir, querer.
Até não poder mais
ouvimos amália no carro
com um sorriso. Tu.
Eu rio por vergonha
de ser tão assim. Tens medo. Chove.
Não há noite mais
E falho. Falto. Fico aquém.
Não digo o que devia. Nunca direi.
As palavras são putas que eu pago
com o coração.
Peço a deus
em quem não creio
que me faça lembrar.
Para te não fazer sofrer
Thursday, November 09, 2006
Wonderer
Eu sou um gajo chato. Sempre fui. O problema é que dantes, era um gajo calado. Dava-me algum mistério. Fui-me tornando um gajo falador. Deixei de ter medo das pessoas - o alcoól. O que exponencía a minha chatice. É como passar o Kim Jong-Il da Coreia do Norte para os EUA. Torna-se mais fodido que o Hitler. Eis-me, então, o Charles Manson das conversas.
É certo que a maior disponibilidade verbal me concedeu mais minutos de conversa com raparigas giras, mas ainda está por provar a relação entre isso e qualquer tipo de recompensa válida (sejam festinhas ou amores para a vida).
Cada vez é mais frequente dar por mim a gritar no ruído "are you talking to me?"
Monday, November 06, 2006
Saturday, November 04, 2006
Ser exigente
Escrevo pouco porque não vejo utilidade no acto. Apenas alcoolizado me parece indispensável esta lamechice vã de me expor abstractamente. Amo pouco porque apenas me apaixono pelo que acho apaixonante. Não concedo ao real. Satisfaço-me apenas quando ele se conforme ao que imagino. Não é pedir demais. Porque, afinal, não sou um gajo criativo. Sou, antes, chato. Analítico. Seco.
A descrição mais frequente que ouço sobre mim é ser, à partida, misterioso, sério, reservado, convencido, snob e outras variações sobre o tema. Curioso reflexo de mim. Um tímido.
Mulheres e homens são diferentes. Valorizam diferentemente coisas diferentes. Juntá-los em número ímpar é garantia de ficção. Boa ou má, tem muito a ver com a quantidade de alóool envolvida. Sem regras fixas.
A verdade é que, sem gostar verdadeiramente de mim, não há ninguém de quem eu goste mais.
Friday, October 27, 2006
dolce vita
o que é?
socos no estomago. nervos em pé.
abraço-te e estamos tão longe
quanto o meu braço do teu
no cinema.
odeio o teu amor
e tu o meu. é normal
se calhar somos um para o outro.
aposto que já pensaste nisso
e desististe. Como eu.
Não vale a pena
estragar isto.
Mas é diferente com as outras
a que chamas amigas.
eu bem sei o
que
isso
quer dizer.
Não aguento, escrevo em rimas, sem querer.
Odeio tudo aquilo que posso querer.
Quem me quer não é bom
quem eu quero
é bom demais.
não há nada a fazer
vou dormir
depois de beber
e esquecer
e esquecer
e esquecer
troquei-te pela tua irmã
e foi ela a receber o incómodo. da minha visita. foi ela que ouviu quem eu sou. e não tu. devias ter sido tu. para mim.
já vist o quão fomos maus para nós?
1 para o ourtro. em directo, sem cortes.
continuas a ser
quem eu acho mais bonita.
è pouco para ti
acho bem.
hàs de ser. muito mais do que isso. E eu não sei
como te chamar.
Que hei de fazer se estas presa a outro sitio?
torta vês direito. e fazes-me ver tambem
correctamente.
como tu queres.
por ti, aceito. quero-te
sem vergonhas
com vergonhas
com tudo
menos medo.
Tuesday, October 24, 2006
crise/fim/verdade/belo/bem
como se articulam hoje estes conceitos? articulam-se totalmente?
verdade, belo e bem são e foram quase sinónimos, na medida em que descrevem diferentes facetas do deus moderno, a felicidade. A tal que, como o Outro mais antigo, é tão absolutizada, nas versões ocidentais (faço a ressalva da ocidentalidade, pois é neste contexto que mais se articulam estes contextos com os de crise e/ou fim), que não é passível de ser abrangida pela(s) palavra(s), logo, pela nossa consciência.
A preocupação é, agora, o sentimento generalizado de crise/fim que a estes se juntou. A tal "crise dos valores", o pós-pós modernismo. O niilismo céptico, o relativismo descrente, etc. etc. etc.
Não me parece correcto vê-lo como um fim. Como uma espécie de bloqueio criativo da humanidade ou da história das ideias. É, antes, um big-bang cultural. Não, talvez, como esperávamos que fosse. Afinal, a democracia sempre pareceu mais insatisfatória na prática do que no papel.
É verdade que, tendo infinatamente mais opções de escolha que noutras eras da humanidade, acabamos por escolher o mesmo. É verdade que após a consolidação das democracias ocidentais, não se instituiu nenhum regime menos injusto. É verdade que a arte nunca mais pareceu quebrar tantas barreiras, tão depressa. É verdade, é verdade, é verdade.
Mas também é verdade que se escolhemos o mesmo é porque, em grande medida, podemos hoje escolher o que mais queremos. E o que a maioria das pessoas quer é muito parecido.
Também é verdade que a democracia não é meramente um estágio, mas um processo, que está longe de estar esgotado. Centralização e regionalização são dois vectores conjugáveis do processo; um projecto suficientemente criativo dada a paradoxalidade do objectivo.
Finalmente, a arte, quebra hoje mais barreiras do que nunca, simplesmente são tantas que é impossível percebê-las a todas. A multiplicação dos indivíduos-artistas (criadores e consumidores) é tal que não há espaço para que um só indivíduo absorva a totalidade do fenómeno. No fundo, foi optimizado o potencial que sempre esteve latente.
No global, portanto, fim parece-me um conceito desadequado para o fenómeno a que assistimos. Crise, talvez seja mais correcto. Crise de quem assiste e se percebe incapaz de agir a uma tão vasta escala. Rasgámos horizontes e percebemos um pouco melhor a nossa impotência. Rásgamos horizontes e percebemos o que nos falta ver.
